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capitulo 2 - Alcoolismo - historia de Paulo

por vidanapenumbra, em 26.05.08

 

Capitulo – 2
            Sempre tive uma vida muito problemática, quando era muito novo o meu pai e a minha mãe morreram num acidente de mota, tudo porque a outra pessoa que conduzia um carro estava embriagada e não viu o sinal de STOP num cruzamento, depois os meus tios ficaram comigo e com os meus irmãos.
            Nunca gostei de estar em casa da minha tia, vivíamos no interior de trás-os-montes; e os mais velhos (que eram a nossa referência) ou estudavam e acabavam por sair dali, ou o futuro seria serem pastores.
Mas o pior de tudo era o meu tio. Era alcoólico, e quando chegava mais “tocado”, mandava-me com a cabeça contra a parede (nunca percebi o porquê), mas andava sempre a discutir com a minha tia. Ás vezes ele estava arrependido e levava-me ao café da aldeia, outras trazia para casa os animais que caçava – raposas por exemplo – e punha-os pendurados no teto e virados de cabeça para baixo para um bidão de lata eu nunca gostei muito mas preferia fingir que era muito giro.
Houve um dia em que o meu tio Leandro, para além de discutir, quis ir mais longe e como já estava bêbado, agarrou numa faca e foi direito à minha tia, esta ao prever o que se iria passar, ainda saiu de casa e correu tanto quanto pôde. Eu e os meus irmãos ao ouvir os gritos da minha tia fomos ter com a vizinha pedir ajuda, lembro-me que já era muito tarde porque no silêncio e calma da noite apenas se ouvia os gritos da minha tia, nós tentamos chegar o mais depressa possível, a verdade é que as nossas pernas eram pequenas para os passos que queríamos e devíamos dar, a vizinha a que íamos pedir auxilio antes de lá chegarmos já se encontrava na porta a tentar perceber de onde vinham aqueles gritos e pedidos de socorro. Lembro-me de não nos deixarem vir a rua de nos tentarem manter lá em casa.
            A aldeia que parecia deserta, de um momento para o outro, estava totalmente acordada, era um entra e sai da casa da vizinha uns passavam a mão nas nossas cabeças, outros diziam: “coitados, não têm muita sorte”, “Aquele Leandro….como é que foi capaz?!”, “…a bebida… sempre a bebida…!!! ”, “Ela era muito bonita…. Será que vai escapar?”,
            Mais tarde acabamos por saber o que realmente havia sucedido: A minha tia esteve no hospital comigo e demoramos muito tempo, o hospital era longe e não havia muitos transportes, o meu tio ao chegar para almoçar, não a encontrou; o ciúme e insegurança levou a que ele estivesse até muito tarde no café da aldeia a beber e quando chegou a casa, depois de muito remoer, e cobiçarem muito a tia lá na tasca; a explicação que encontrou foi a de ela o estar a trair….
            Quando todos nos passavam a mão pela cabeça, e diziam aquelas coisas foi porque, a minha tia tinha ido para o hospital – tinha sido esfaqueada perto da igreja, e nem a casa do senhor foi poupada a tanto sangue –, o meu tio depois de muito resistir foi preso.
 
 
(Continua)

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publicado às 14:52


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